KORRA: a questão da feminilidade estereotipada e outras reflexões

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Avatar Korra

Em um ano difícil, eu descobri em uma personagem mulher a força pra passar por algumas das pedras que atravessaram meu caminho: Korra. A personagem principal da sequência de ‘Avatar’ trouxe discussões necessárias. Pois ainda vivemos enquanto mulheres, uma batalha contra a feminilidade estereotipada. Mas estou exausta de falar sobre isso, portanto, tratarei disso, falando dessa personagem fantástica que conheci esse ano, cuja série rendeu críticas e boicotes a sua emissora pelo seu final, obviamente lésbico, é uma das mulheres mais incríveis que já vi em séries.
Korra é o Avatar – pode controlar os quatro elementos. Na série, é agressiva e impulsiva, com o tempo, se torna reflexiva, altiva e forte. Suas qualidades, não são geralmente apreciadas em mulheres, até mesmo, porque ela não é feminina. Nada – e ela não se esforça pra ser. Ao se deparar com seu reflexo e seus monstros internos ela abandona sua figura menina, corta os cabelos e assume uma figura de uma mulher madura mas longe de uma feminilidade estereotipada.
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Ela se torna uma mulher brilhante ao decorrer de toda a série e encontra outras mulheres, tão fantásticas quanto ela: como Toph Beifong ( minha personagem favorita desde a primeira série do Avatar), que é cega, vive em um pântano e sente as coisas com a sensibilidade do Tato; sua filha Li, independente, chefe de polícia da principal república, Asami, sua melhor amiga, que projetou uma cidade inteira, pensa novas tecnologias e as produz; e a vilã da última série, Kuvira, uma líder nata que buscar unir seu povo, capaz de discursar pra nações inteiras e que não se rende pra homens.
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Toph Beifong ( ♥ ) e Korra

Em nenhuma delas se pode elogiar o quanto são bonitas mas sim o quanto são imponentes, como suas figuras impõem respeito e o quanto merecem ser respeitadas por quem são, e não pelo que meramente parecem. A aparência não importa. Em um mundo com portais para o mundo dos espíritos, a aparência é mera futilidade que não importa nada pra quem pode enxergar dentro de você. Vindo de uma tradição japonesa sobre espíritos e contos sobre a ligação dos seres humanos com os elementos da terra, que são alegorias pra falar sobre a nossa ligação com tudo que existe ao nosso redor, a série mostra como esse laço é pouco presente ou inexistente no nosso mundo real, egoísta, machista e enfadonho.
Korra trata o diferente como belo e luta não por poder, mas sim, por equilíbrio – O equilíbrio com o universo que perdemos enquanto humanos e a conexão com nós mesmos. Ela aprende com seus inimigos a busca pela igualdade, pela espiritualidade e pela liberdade, que são coisas importante, mas não imposições que funcionam da mesma maneira pra todos.
Longe de um feminino fútil, Korra vem mostrar que ser mulher é muito mais do que belos olhos ou passos bonitos, do que um estereótipo de vestidos, saltos e maquiagens: ela luta e ensina a lutar, encara seus monstros sem se tornar um deles e por fim adentra o mundo dos espíritos, na melhor metáfora sobre adentrar a si mesmo pra descobrir o caminho. Enquanto mulheres lutamos sempre contra monstros que habitam o espelho e nós mesmas, e como Korra precisamos enfrentá-los. Colocar o veneno pra fora e não absorver o veneno que nos jogam, para que assim, abracemos outras mulheres em nosso caminho e possamos dar, também a elas, o direito de encontrarem seu caminho em sororidade e irmandade feminina, pra que possamos aqui, nesse mundo pra além do mundo das séries que Korra, habita, lutar contra o autoritarismo e as maldades que nos impõem por sermos mulheres, e mulheres que um mundo machista não consegue lidar. Pois que cometamos o crime de ser divergentes juntas, e assim sejamos capaz de derrubar o que nos mantém oprimidas e o que oprime a tantos.
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