Eu, Feminista Terceiro-Mundista e Latino-Americana

Eu sou uma feminista terceiro-mundista – e latino americana. Porque eu me identifico com o feminismo feito pelas mulheres bolivianas, com a luta das mulheres palestinas pelas suas terras e das mulheres peruanas contra a mineração. Com as revoltas das mulheres do cariri, com as cooperativas de mulheres de Moçambique. Porque me vejo nas palavras de mulheres indianas sobre o estupro, porque eu acredito na critica das Zapatistas sobre o silêncio da América Latina sobre os sofrimentos de suas mulheres, porque os escritos de um feminismo latinos americano descreve a realidade que eu vivo – de um país subdesenvolvido, explorado e de terceiro mundo, e minha, como mulher pobre, filha de negro.
Eu sou uma feminista de terceiro mundo, latino americana. Me solidarizo com os sofrimentos das meninas nigerianas sequestradas pra ser escravas sexuais, eu denuncio o estupro como arma de guerra e o machismo institucionalizado e presente de maneira autoritária mesmo nos grupos mais progressistas desse continente, incapazes de problematizar pornografia, violência contra a mulher e exploração da mulher, porque privilegia a muitos que a mulher siga sendo propriedade do homem rico e a proletária do proletário.
Eu sou uma feminista de terceiro mundo porque embora importantes, pensadoras de países centrais não reconhecem o sujeito não-branco e pobre que são, em grande maioria, as mulheres de terceiro mundo. Porque eu nasci no terceiro mundo. Nasci pobre, neta de lavadeira, filha de gente preta, de interior e excluída socialmente. Porque me orgulho disso, e me sinto parte desse mundo não representado e colonizado que precisa pensar por conta própria e se libertar das figuras de mulheres calientes cujas bundas servem pra ser admiradas e cujo trabalho é mal remunerado.

( em: 13/06/2015 )

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