There will be no White Flag above my door.

O chá quente esfria rápido no vento da varanda. Lá fora o mundo dança e para, os carros correm e as pessoas, como zumbis, andam sem levantar os olhos do celular. Por que tememos um apocalipse Zumbi se já parecemos viver em um? Eu deixo uma bagunça enorme onde quer que vá. Uma nata troublemaker, eu reajo a tudo de maneira apaixonada. Nem todos entendem. Perco mais que ganho.

Perco amigos, meu bem. Em um mundo de consensos, quem sou eu pra discordar das teorias vigentes? Ande com aquele, defenda isso, lute por tal causa, compre de tal lugar, se comporte de outra maneira. Eu nem escuto mais rádio. Nem sequer assisto Game of Thrones. Como a pessoa inspirada por Jane Austen e Dostoievsky que sigo na vida, eu analiso as coisas cuidadosamente, mas tenho defeitos que eu queria ter superado há muito tempo. Nem tão simples, quase impossível, minha língua afiada tem sempre uma resposta pra tudo que envolve as causas que me envolvo. Não é o que as pessoas querem ouvir, mas é o que eu tenho pra dar.

Alguns dizem – se renda!  mas como Dido canta: “I won’t put my hands and surrender, there will be no white flag above my door.” – eu não vou pôr as mãos pra cima e me render, não haverá bandeira branca sobre a minha porta. Que guerra é essa que apenas um lado tem armas? o tiro que miram no meu peito, erram pela distância. A humanidade que se arrasta como os zumbis de Romero se alimenta de sonhos de plástico e sorrisos falsificados escondidos por purpurina barata. Há de seguir em frente, mas o seguir perdeu o rumo. Essa guerra perdida, tem seus vencedores comemorando com Whisky caro nos corredores do Goldman Sachs e junto deles Wall Street festeja com cocaína. Na mesma esquina, mais uma mulher morreu de fome essa noite.

Os gatos que miam alto em desgosto e coragem na rua de baixo, espelham meus sentimentos. Meu bem, eu não tenho bandeira brancas pra apresentar. Nem quero. Não desisto dos amigos que querem me deixar, nem das coisas que me fazem gritar. Tentei ser mais alegre, mas me sinto muito brava. Queria ser mais liberal, mas sou muito pobre. Muito prazer, meu nome é otário. Coleciono relógios quebrados com as horas que vivi com as pessoas que me deixaram, e que anunciam as horas das pessoas que se irão porque falo aos que preferem silêncio. O tempo tem um corvo preso em seu peito que anuncia as tempestades de um céu de inverno. Com olhos esbugalhados e cantos agudos eu sigo seus conselhos gritados nas rajadas do vento – torne o mundo algo melhor do que aquele no qual você chegou. Simples, não? não.

Não quero tornar a vida de ninguém mais difícil. Muito pelo contrário. Mas se eu fosse ser pacífica, eu habitaria Oceano ao lado do grande Titan, e aproveitaria pra pedir conselhos a Gaia. Não que eu cogite trair as deusas. Mas Artêmis entenderia.Se as pessoas se vão, não será porque me rendo, será porque falar a verdade sempre te condena. Pergunte a Medusa. Mas eu não levanto as mãos pra me render. Eu levanto as mãos pra sacar as armas e encontrar a mira certa. Quem se esconde sob o telhado perde as estrelas.

 

 

 

 

 

 

 

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