TPM: o monstro incompreendido

Acusam tudo de ser TPM: Uma mulher irritada, estressada e de mau-humor só pode estar de TPM. Se ela tiver olheira, se o cabelo estiver ruim, se ela estiver com a cara fechada, só pode estar de TPM. No entanto, por mais que se fale dela, pouco se respeita. Como a maioria das questões femininas, a TPM é considerada frescura, apenas mais uma razão para que mulheres sejam humilhadas e rebaixadas a seres inconstantes e irracionais.
Mas TPM não é brincadeira. E aqui, falo por mim e por muitas mulheres que sofrem com isso. Nos xingam e nos desrespeitam, nos chamam de desequilibradas nesse período, mas não param um minuto pra entender. Acham TPM onde não tem e aí fazem piada. É piada interna de homem no boteco, é a piada entre amigos sobre a namorada enfezada do outro. Mal sabem eles os turbilhões que o corpo feminino passa por, e o quanto hormônios são pequenos seres infernais que nós ignoramos apesar da influência enorme que eles têm no nosso organismo.
Mal sabem eles que não é divertido pra nós mulheres nos sentirmos triste sem razão, chorarmos por razões desconhecidas e sentir uma irritação absurda em alguns momentos. Não é divertido. Eu não acho. Eu sou uma pessoa ansiosa e introvertida, não é fácil pra mim, assim como não acho que seja pra outras mulheres, sentir uma enxurrada de sentimentos, passando da solidão intensa a uma enorme braveza. Não é drama, como vocês, do auge da ignorância, adoram chamar. Não é frescura. O corpo passa por muita coisa e o emocional – olha só! – externa de alguma maneira.
Essa é uma sociedade em que homens podem gritar e sair furiosos com seus carros, que todos vão passar a mão na cabeça. Podem ficar bravíssimos com o resultado de um jogo de futebol que as pessoas vão entender. Uma mulher de TPM é razão de piada, humilhação e inferioridade. Nós somos mais do que TPM, mas ela, em muitas de nós existe e vai existir. Não é falta de esforço, de reação como nos dizem. Vocês, homens, não tem ideia do que é menstruar, do que é sentir cólicas infernais e uma TPM absurda. Então, cara sociedade, tentem entender e parem de zoar! Não é algo engraçado. Não é drama. É parte do nosso corpo, que pra variar, objetificam, mas não entendem, não conhecem e não respeitam.

( em 16/07/2015 )

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