Para reflexão de Esquerdomachos

Para reflexão de Esquerdomachos:

“Eu sou Feminista” = Não querido, você não é. Você pode apoiar o feminismo, você pode buscar entender o que é ser feminista, e deve usar dos espaços e da fala que como homem você tem mais do que as mulheres ao seu redor para torná-los feministas. Chamar aquela colega de classe de ‘gostosa’ ou outra de ‘baranga’ secar a Caloura de 17, faz de você um babaca machista e não interessa se você se reivindica feminista ou não. Mulheres não existem para agradar seus olhos embora a sociedade inteira queira dizer isso.

“Eu sou um machista em desconstrução” = Que bom colega! agora pare de repetir isso no DISCURSO e coloque isso em PRÁTICA. Comece não flertando com outras meninas enquanto você tem namorada, respeitando mulheres ao invés de vê-las como objeto sexual, pare de se gabar sobre querer pegar aquela ‘mina peituda’. Desconstruir o machismo é uma luta diária, e se no meio dos teus amigos você fala da bunda, do peito de alguém, ou pior, se você acha que pode mandar em mulheres nos espaços de luta, se você silencia mulheres deliberadamente, de novo – você é só mais um babaca machista.

“Mulheres também são machistas” = Sim, a sociedade é. Até Dalai Lama é. A questão é que mulheres não ganham nada com o machismo. Já os homens tem um sistema inteiro de privilégios baseado nisso. Estude e não repita isso.

“O feminismo de vocês é Liberal” = Eu não sou do feminismo liberal. Mas tem quem seja e a luta delas foi o que permitiu que eu hoje possa votar e ter entrado pra universidade. E que direito você acha que tem pra julgar o feminismo? Eu discordo dos princípios do feminismo liberal, mas apoio mulheres que porventura, encontraram um caminho pra superar a opressão sobre elas através desse viés.

” Vocês feministas odeiam homens” = Algumas sim, e não culpo elas. Num país em que uma mulher sofre estupro a cada 10 minutos não dá pra pedir que não se odeie. Em um continente em que morrem mais mulheres por violência de gênero do que por câncer ou acidentes de trânsito, vocês reivindicam amor demais e questionam muito pouco o amor que homens dão ou oferecem a suas mulheres.

“O debate de gênero atrapalha os movimentos” = Sim, na era medieval eles pensavam assim também. Lênin falou também sobre primeiro fazer a revolução pra depois resolver a questão do patriarcado. Porque é difícil pros homens descerem dos privilégios que tem pra enxergar que mulheres como classe social precisam de discussões específicas que eles não precisam, e é mais fácil ignorar e silenciar isso, do que colocar na roda de debate e levar em consideração.

“Nem todos os homens são assim” = A clássica. Caro, todos os homens são machistas. Eu cansei de ouvir de amigo progressista “Você é radical demais” ou de saber dos posicionamentos abusivos em relações às namoradas ou a outras mulheres, de ver silenciar mulheres e não levar em consideração argumentos de uma mulher simplesmente por ela ser mulher. Nós crescemos em uma sociedade em que o machismo é enraizado desde seu primórdio, American Pie que é a porcaria mor da minha geração e ensinou uma geração de homens sobre o que é ser um idiota machista. O machismo está até nas pequenas coisas que se recusam a problematizar, aquele flerte descarado no bar quando a namorada não está junto, o vídeo de putaria que você repassa pros amigos, xingar aquela amiga de baranga, até achar que a culpa é da mulher quando ela é estuprada porque estava com tal roupa ou bebeu demais. A sociedade é machista, todos os homens o são. Lidem com isso e comecem a desconstruir isso de maneira prática, e não apenas no discurso.

Enfim, o ponto aqui é – o tempo inteiro homens de esquerda reivindicam apoiar feminismo mas NA PRÁXIS, NO CONCRETO, NÃO O FAZEM. Vivem relacionamentos abusivos, submetem suas namoradas, a acusam de ser “o homem da relação” quando elas reclamam dos abusos, as traem, silenciam as amigas numa luta universitária, ignoram os argumentos femininos, e continuam tratando mulheres como objeto sexual. Outros sequer reconhecem importância no feminismo e só dizem que é inútil, um ‘feminismo de quinta’. Porque claro, uma luta que quer discutir sobre as mulheres morrendo nas mãos de companheiros e ex-companheiros, sendo estupradas e sendo humilhadas e excluídas de vários meios, do acadêmico ao político, é muito inútil. Com certeza. Já dizia um muro colombiano – não há nada tão igual a um machista de direita que um de esquerda.

( em 30/08/2015 )

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