A chuva e o infinito em mim

Mas hoje chove, dindi. Chove lá fora, e chove em mim. A tempestade que veio do horizonte e despontou sobre os meus cabelos desgrenhados disputava espaço com a tempestade que eu tenho carregado. Minha tempestade tem olhos oblíquos e dissimulados, como os olhos que tanto atormentaram Bentinho. São miúdos e observadores e por mais que eu fuja, me perseguem, me questionam e me trazem uma ansiedade, que por natureza, em mim, já é devastadora.
E troveja, dindi. Em mim goteja, e lá fora troveja. E eu que tenho medo de trovões me arrepio calada do lado de dentro sentada a luz de um abajur fosco refletindo sobre as multidões no espaço sideral. Se há mundos mais evoluídos, por que nasci neste? quando mais nada faz sentido eu fecho os olhos e penso na imensidão do universo. O que será aquela estrela que já não vejo atrás dessas nuvens negras? por onde andam cometas? os buracos negros que existem em mim conversam com o infinito em solidão e confidência.
Está tão escuro, dindi. E como dizia Renato, eu não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas. O dia foi cinza e triste. O mar que vive em meus olhos despejou-se sobre a terra em cânticos que ninguém tem paciência pra ouvir. As ondam quebraram em mim e seguem quebrando, os pedaços que arrastam eu vou tentando colar erroneamente com as mãos incertas. Tão incertas quanto o amanhã que amanhece sem respostas enquanto espero pelo próximo trem que me acenará adeus sob esse céu de estrelas cadentes.

( em 21/03/2015 )

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